UBS Quilombola do Gurugi
ficha técnica e memorial
UBS Quilombola do Gurugi
ficha técnica e memorial
UBS Quilombola do Gurugi
ficha técnica e memorial
Ano:
2019
Local:
Conde - Paraíba
Equipe:
Alexandre Ruiz
Colaboradores: Rodrigo Vinci, Bruno Niepsui, João Vitor Sarturi

“...a arquitetura não é somente uma utopia mas é um meio para alcançar certos resultados coletivos.”

            (BO BARDI, Lina. Lina Bo Bardi, p.304. IlBPMB, 2008.)

 

            

Para o projeto de arquitetura para a Unidade Básica de Saúde, UBS Quilombola do Gurugi, na área rural do município de Conde – Paraíba, avaliamos inicialmente as diretrizes conceituais que derivam do marcante genius loci de uma localidade marcada pela história de seus assentamentos.

 

Genius loci e volumetria

Por se tratar de uma ZEPOCT – Zona de Povos e Comunidades Tradicionais -, optamos por interpretar na volumetria, e na disposição de espaços específicos, a relação existente com a estrutura de construções quilombolas, bem como a dos aldeamentos indígenas dos assentamentos iniciais. O material empregado na construção, no entanto, foi atualizado para tecnologias atuais por razoes, econômicas, durabilidade, facilidade de operação e manutenção de um espaço de saúde. A composição resultou em uma volumetria variada na cobertura, se assemelhando a um agrupamento de moradias quilombolas, o que conferiu dinamismo a um projeto de pequeno porte. Fazendo-o, ao mesmo tempo, harmonizar com o entorno construído por suas diversas águas, e se destacar como equipamento público. 

 

A grelha e a disposição

Em seguida foram as condicionantes físicas e as preexistências que atuaram com relevância na configuração do partido. Para a distribuição do programa optou-se pela aplicação de uma grelha estrutural em concreto armado moldado in loco, de modulação variada entre 3x3 metros e 3x4metros, estes últimos nos consultórios. A estrutura de concreto da grelha é formada por pilares de 25x25 cm com 2.75m de altura e vigas calhas de 35cm de altura. A grelha foi distribuída sobre uma laje contínua formando um terreiro elevado. Sob ele, o terreno cai naturalmente, formando um subsolo de reserva técnica na extensão sudeste do lote. Nesta área técnica no subsolo, ficam situados a estação de tratamento de resíduos, as bombas e pressurizadores, um pequeno gerador elétrico, e os reservatórios de água potável e de reuso. A grelha foi o elemento integrador, possibilitando manter/ou replantar as árvores existentes, organizar funcionalmente os espaços internos, e dar suportes para as coberturas, especialmente as altas de 4 águas, estruturadas como “mocambos”. As lajes planas impermeabilizadas, por sua vez, recebem cobertura vegetal extensiva com forrações de espécies locais de baixa manutenção.

 

A margem e os acessos

A larga margem ao lado da Rodovia estadual PB018, que constitui a interface do terreno com a localidade, ainda carece de infraestrutura de passeio. Entretanto, por sua dimensão, representa um grande potencial de qualificação urbana de espaço público da localidade. O projeto aproveitou esta margem para configurar a área de acesso dos veículos motorizados, com as respectivas vagas situadas dentro do terreno. A existência de uma escola em frente ao terreno, com uma faixa de pedestres elevada atravessando em direção à UBS, favoreceu também o posicionamento do acesso de pedestres e ciclistas, e a criação de uma praça de chegada – integrando física e visualmente o espaço livre público ao ambiente construído. A margem, requalificada, poderá servir de modelo para implantação de um longo passeio ladeando a rodovia.

 

Ambiência, conforto e materiais

Ao se pensar a volumetria do conjunto, levou-se principalmente em conta, a relação da estrutura, de inspiração e concepção vernácula, com as questões de ventilação natural e conforto. A cobertura em águas com abertura superior facilita o fluxo contínuo de ar por convecção e exaustão, com abertura orientada para conduzir a brisa predominante vinda da face sudeste. As áreas com coberturas de maior volumetria e lanternins, coincidem com as de maior concentração de público: as esperas, a área educativa, os consultórios e as áreas de circulação.  A estrutura metálica dos volumes “quilombolas” é formada por tubos metálicos de 10x10cm, articulados por um anel metálico estruturado no topo. Estes volumes são cobertos por telha sanduíche termo-acústica, e revestidos no interior por forro de gesso fono-absorvente. Nas áreas de espera e no espaço educativo, optou-se por um forro composto de entramados de madeira. Importante salientar que a ventilação não se dá apenas pela cobertura, mas por esquadrias de vidro situadas na parte superior dos elementos de fechamentos: sejam eles cobogós cerâmicos com vidro embutido, esquadrias com grandes panos de vidro ou alvenaria de tijolos de solo-cimento – esta última rebocada no interior para higiene e fácil manutenção. Os materiais e volumetria do interior da UBS, além de referências táteis e visuais aos componentes históricos da localidade, transmitem uma ambiência acolhedora, que humaniza o ambiente hospitalar, e agregam conforto num clima tropical e úmido como o do município de Conde.

 

Áreas externas e o uso comunitário

A horta comunitária para plantação de ervas medicinais e hortaliças foi situada na área contígua ao espaço público criado na margem da Rodovia. Integrada ao acesso da escola existente, a horta fica ao lado do espaço para reuniões e área educativa, de forma a gerar fluidez de atividades, além de integração e apropriação comunitária. Esta área verde ladeia também a área de recepção, e sua visibilidade e permeabilidade foram intencionais, de forma a motivar a realização de oficinas e eventos educacionais transformando a UBS Quilombola do Gurugi em um equipamento público representativo de sua função social.

 

 

 


Ano:
2019
Local:
Conde - Paraíba
Autores:
Alexandre Ruiz
Colaboradores:
Colaboradores: Rodrigo Vinci, Bruno Niepsui, João Vitor Sarturi

“...a arquitetura não é somente uma utopia mas é um meio para alcançar certos resultados coletivos.”

            (BO BARDI, Lina. Lina Bo Bardi, p.304. IlBPMB, 2008.)

 

            

Para o projeto de arquitetura para a Unidade Básica de Saúde, UBS Quilombola do Gurugi, na área rural do município de Conde – Paraíba, avaliamos inicialmente as diretrizes conceituais que derivam do marcante genius loci de uma localidade marcada pela história de seus assentamentos.

 

Genius loci e volumetria

Por se tratar de uma ZEPOCT – Zona de Povos e Comunidades Tradicionais -, optamos por interpretar na volumetria, e na disposição de espaços específicos, a relação existente com a estrutura de construções quilombolas, bem como a dos aldeamentos indígenas dos assentamentos iniciais. O material empregado na construção, no entanto, foi atualizado para tecnologias atuais por razoes, econômicas, durabilidade, facilidade de operação e manutenção de um espaço de saúde. A composição resultou em uma volumetria variada na cobertura, se assemelhando a um agrupamento de moradias quilombolas, o que conferiu dinamismo a um projeto de pequeno porte. Fazendo-o, ao mesmo tempo, harmonizar com o entorno construído por suas diversas águas, e se destacar como equipamento público. 

 

A grelha e a disposição

Em seguida foram as condicionantes físicas e as preexistências que atuaram com relevância na configuração do partido. Para a distribuição do programa optou-se pela aplicação de uma grelha estrutural em concreto armado moldado in loco, de modulação variada entre 3x3 metros e 3x4metros, estes últimos nos consultórios. A estrutura de concreto da grelha é formada por pilares de 25x25 cm com 2.75m de altura e vigas calhas de 35cm de altura. A grelha foi distribuída sobre uma laje contínua formando um terreiro elevado. Sob ele, o terreno cai naturalmente, formando um subsolo de reserva técnica na extensão sudeste do lote. Nesta área técnica no subsolo, ficam situados a estação de tratamento de resíduos, as bombas e pressurizadores, um pequeno gerador elétrico, e os reservatórios de água potável e de reuso. A grelha foi o elemento integrador, possibilitando manter/ou replantar as árvores existentes, organizar funcionalmente os espaços internos, e dar suportes para as coberturas, especialmente as altas de 4 águas, estruturadas como “mocambos”. As lajes planas impermeabilizadas, por sua vez, recebem cobertura vegetal extensiva com forrações de espécies locais de baixa manutenção.

 

A margem e os acessos

A larga margem ao lado da Rodovia estadual PB018, que constitui a interface do terreno com a localidade, ainda carece de infraestrutura de passeio. Entretanto, por sua dimensão, representa um grande potencial de qualificação urbana de espaço público da localidade. O projeto aproveitou esta margem para configurar a área de acesso dos veículos motorizados, com as respectivas vagas situadas dentro do terreno. A existência de uma escola em frente ao terreno, com uma faixa de pedestres elevada atravessando em direção à UBS, favoreceu também o posicionamento do acesso de pedestres e ciclistas, e a criação de uma praça de chegada – integrando física e visualmente o espaço livre público ao ambiente construído. A margem, requalificada, poderá servir de modelo para implantação de um longo passeio ladeando a rodovia.

 

Ambiência, conforto e materiais

Ao se pensar a volumetria do conjunto, levou-se principalmente em conta, a relação da estrutura, de inspiração e concepção vernácula, com as questões de ventilação natural e conforto. A cobertura em águas com abertura superior facilita o fluxo contínuo de ar por convecção e exaustão, com abertura orientada para conduzir a brisa predominante vinda da face sudeste. As áreas com coberturas de maior volumetria e lanternins, coincidem com as de maior concentração de público: as esperas, a área educativa, os consultórios e as áreas de circulação.  A estrutura metálica dos volumes “quilombolas” é formada por tubos metálicos de 10x10cm, articulados por um anel metálico estruturado no topo. Estes volumes são cobertos por telha sanduíche termo-acústica, e revestidos no interior por forro de gesso fono-absorvente. Nas áreas de espera e no espaço educativo, optou-se por um forro composto de entramados de madeira. Importante salientar que a ventilação não se dá apenas pela cobertura, mas por esquadrias de vidro situadas na parte superior dos elementos de fechamentos: sejam eles cobogós cerâmicos com vidro embutido, esquadrias com grandes panos de vidro ou alvenaria de tijolos de solo-cimento – esta última rebocada no interior para higiene e fácil manutenção. Os materiais e volumetria do interior da UBS, além de referências táteis e visuais aos componentes históricos da localidade, transmitem uma ambiência acolhedora, que humaniza o ambiente hospitalar, e agregam conforto num clima tropical e úmido como o do município de Conde.

 

Áreas externas e o uso comunitário

A horta comunitária para plantação de ervas medicinais e hortaliças foi situada na área contígua ao espaço público criado na margem da Rodovia. Integrada ao acesso da escola existente, a horta fica ao lado do espaço para reuniões e área educativa, de forma a gerar fluidez de atividades, além de integração e apropriação comunitária. Esta área verde ladeia também a área de recepção, e sua visibilidade e permeabilidade foram intencionais, de forma a motivar a realização de oficinas e eventos educacionais transformando a UBS Quilombola do Gurugi em um equipamento público representativo de sua função social.

 

 

 



Ano:
2019
Local:
Conde - Paraíba
Autores:
Alexandre Ruiz
Colaboradores:
Colaboradores: Rodrigo Vinci, Bruno Niepsui, João Vitor Sarturi

“...a arquitetura não é somente uma utopia mas é um meio para alcançar certos resultados coletivos.”

            (BO BARDI, Lina. Lina Bo Bardi, p.304. IlBPMB, 2008.)

 

            

Para o projeto de arquitetura para a Unidade Básica de Saúde, UBS Quilombola do Gurugi, na área rural do município de Conde – Paraíba, avaliamos inicialmente as diretrizes conceituais que derivam do marcante genius loci de uma localidade marcada pela história de seus assentamentos.

 

Genius loci e volumetria

Por se tratar de uma ZEPOCT – Zona de Povos e Comunidades Tradicionais -, optamos por interpretar na volumetria, e na disposição de espaços específicos, a relação existente com a estrutura de construções quilombolas, bem como a dos aldeamentos indígenas dos assentamentos iniciais. O material empregado na construção, no entanto, foi atualizado para tecnologias atuais por razoes, econômicas, durabilidade, facilidade de operação e manutenção de um espaço de saúde. A composição resultou em uma volumetria variada na cobertura, se assemelhando a um agrupamento de moradias quilombolas, o que conferiu dinamismo a um projeto de pequeno porte. Fazendo-o, ao mesmo tempo, harmonizar com o entorno construído por suas diversas águas, e se destacar como equipamento público. 

 

A grelha e a disposição

Em seguida foram as condicionantes físicas e as preexistências que atuaram com relevância na configuração do partido. Para a distribuição do programa optou-se pela aplicação de uma grelha estrutural em concreto armado moldado in loco, de modulação variada entre 3x3 metros e 3x4metros, estes últimos nos consultórios. A estrutura de concreto da grelha é formada por pilares de 25x25 cm com 2.75m de altura e vigas calhas de 35cm de altura. A grelha foi distribuída sobre uma laje contínua formando um terreiro elevado. Sob ele, o terreno cai naturalmente, formando um subsolo de reserva técnica na extensão sudeste do lote. Nesta área técnica no subsolo, ficam situados a estação de tratamento de resíduos, as bombas e pressurizadores, um pequeno gerador elétrico, e os reservatórios de água potável e de reuso. A grelha foi o elemento integrador, possibilitando manter/ou replantar as árvores existentes, organizar funcionalmente os espaços internos, e dar suportes para as coberturas, especialmente as altas de 4 águas, estruturadas como “mocambos”. As lajes planas impermeabilizadas, por sua vez, recebem cobertura vegetal extensiva com forrações de espécies locais de baixa manutenção.

 

A margem e os acessos

A larga margem ao lado da Rodovia estadual PB018, que constitui a interface do terreno com a localidade, ainda carece de infraestrutura de passeio. Entretanto, por sua dimensão, representa um grande potencial de qualificação urbana de espaço público da localidade. O projeto aproveitou esta margem para configurar a área de acesso dos veículos motorizados, com as respectivas vagas situadas dentro do terreno. A existência de uma escola em frente ao terreno, com uma faixa de pedestres elevada atravessando em direção à UBS, favoreceu também o posicionamento do acesso de pedestres e ciclistas, e a criação de uma praça de chegada – integrando física e visualmente o espaço livre público ao ambiente construído. A margem, requalificada, poderá servir de modelo para implantação de um longo passeio ladeando a rodovia.

 

Ambiência, conforto e materiais

Ao se pensar a volumetria do conjunto, levou-se principalmente em conta, a relação da estrutura, de inspiração e concepção vernácula, com as questões de ventilação natural e conforto. A cobertura em águas com abertura superior facilita o fluxo contínuo de ar por convecção e exaustão, com abertura orientada para conduzir a brisa predominante vinda da face sudeste. As áreas com coberturas de maior volumetria e lanternins, coincidem com as de maior concentração de público: as esperas, a área educativa, os consultórios e as áreas de circulação.  A estrutura metálica dos volumes “quilombolas” é formada por tubos metálicos de 10x10cm, articulados por um anel metálico estruturado no topo. Estes volumes são cobertos por telha sanduíche termo-acústica, e revestidos no interior por forro de gesso fono-absorvente. Nas áreas de espera e no espaço educativo, optou-se por um forro composto de entramados de madeira. Importante salientar que a ventilação não se dá apenas pela cobertura, mas por esquadrias de vidro situadas na parte superior dos elementos de fechamentos: sejam eles cobogós cerâmicos com vidro embutido, esquadrias com grandes panos de vidro ou alvenaria de tijolos de solo-cimento – esta última rebocada no interior para higiene e fácil manutenção. Os materiais e volumetria do interior da UBS, além de referências táteis e visuais aos componentes históricos da localidade, transmitem uma ambiência acolhedora, que humaniza o ambiente hospitalar, e agregam conforto num clima tropical e úmido como o do município de Conde.

 

Áreas externas e o uso comunitário

A horta comunitária para plantação de ervas medicinais e hortaliças foi situada na área contígua ao espaço público criado na margem da Rodovia. Integrada ao acesso da escola existente, a horta fica ao lado do espaço para reuniões e área educativa, de forma a gerar fluidez de atividades, além de integração e apropriação comunitária. Esta área verde ladeia também a área de recepção, e sua visibilidade e permeabilidade foram intencionais, de forma a motivar a realização de oficinas e eventos educacionais transformando a UBS Quilombola do Gurugi em um equipamento público representativo de sua função social.