Centro Educacional Crixá
ficha técnica e memorial
Centro Educacional Crixá
ficha técnica e memorial
Centro Educacional Crixá
ficha técnica e memorial
Ano:
2018
Local:
Brasília -DF
Equipe:
Alexandre Ruiz, Thais Saboia, Haraldo Hauer, Rodrigo Vinci, Bruno Niepsui e Oliver Uszkurat
Consultores:
Eng. Ricardo Henrique Dias

 

“Tudo o que projetamos deve ser adequado a cada situação que surja; em outras palavras, não deve ser apenas confortável mas também estimulante – e é esta adequação fundamental e ativa que eu gostaria de designar como forma convidativa: a forma que possui mais afinidade com as pessoas.”

(Herman Hertzberger em Lições de Arquitetura, 1991).

 

DE LOTE 6 À CENTRO EDUCACIONAL_ “forma convidativa”

O Lote 6 na Avenida Crixá, destinado ao novo Centro Educacional da Região Administrativa XIV, apresenta uma declividade na direção norte. Esta característica natural do terreno, aliada ao caráter das vias do entorno, foram os definidores de um partido arquitetônico que resultou na horizontalidade do conjunto escolar construído, propiciando dois acessos em níveis: o dos pátios escolares e o do estacionamento às áreas de serviço. Para a criação de um equipamento cujo caráter arquitetônico fosse convidativo e singelo, imaginamos um lugar de fácil apropriação e identificação comunitária.

 

OS ACESSOS E OS DOIS TÉRREOS _ “demarcações territoriais”

O projeto privilegiou o acesso dos pedestres e bicicletas, voltando o acesso principal da escola para a Avenida Crixá, a que ladeará toda a futura ocupação habitacional da RA XIV. Ali também é facilitado o estacionamento rápido de veículos pela própria diretriz urbana da avenida. O acesso principal determinou a cota do térreo, das salas especiais, laboratórios e atividades ao ar livre da escola, integradas espacialmente pelos pátios. O estacionamento exclusivo para professores e funcionários foi destinado para a parte mais alta do terreno, com acesso separado pela via marginal da Avenida São Sebastião (Rodovia DF-473), sua cota (3,60 metros acima) determinou o segundo térreo da escola: o nível pedagógico. A criação do platô no nível do acesso implica em uma suave readequação de terras: o volume de terras retirado ao lado sul é reacomodado na porção norte do terreno, criando um recorte visual elevado para meio urbano. As diferentes alturas entre os platôs, permitiram também a acomodação de uma quadra esportiva inserida na volumetria do conjunto.

 

A ESCALA URBANA E OS PÁTIOS INTERNOS _ “criando espaço, deixando espaço”

Em relação à futura ocupação habitacional, a disposição arquitetônica proposta para o CED deixa em seu acesso uma área de praça pública para o acúmulo de pessoas no embarque e desembarque de veículos, ou para a espera tranquila da saída da escola do filho ou do(a) paquera. O importante é ter onde esperar. A fachada perimetral, com apenas dois pavimentos, altera áreas de permeabilidade visual (cobogós) com áreas opacas (placas de concreto pré-moldado), oferecendo movimento, iluminação e segurança às áreas públicas. A escola, por segurança interna dos alunos, é por princípio uma construção protegida; no entanto, a disposição dos blocos educacionais com aberturas para norte e sul, propiciou um agradável ritmo de cheios e vazios da edificação para o exterior, com aberturas no final de seus curtos corredores, e com a criação interna de diferentes escalas de recintos. Os pátios menores surgem nos intervalos dos blocos: áreas para sombra, descanso e interações sociais controladas. Os grandes pátios de escala gregária se unem visualmente e estão todos no mesmo platô térreo, sem desníveis, são eles: a quadra de esportes, o pátio descoberto de areia compactada, o pátio coberto com as laterais ocupadas por painéis artísticos e, por último, uma generosa varanda para a cidade. A área de recorte visual para norte e as demais áreas permeáveis visualmente propiciam ao edifício o controle visual, não invasivo, de todo o seu perímetro urbano. Os pátios menores com vegetação abundante amenizam os ventos dominantes, nas diversas estações e orientações. O vento Sul, por sua vez, é suavizado na área das quadras pela elevação da área do estacionamento e sua cobertura arbórea.

 

MATERIALIDADE E TECTÔNICA _“ordenamento da construção”

Os blocos didáticos (orientados N-S) assim como os administrativos, do refeitório e da biblioteca (orientados L-O) foram concebidos com um sistema construtivo de concreto pré-fabricado e alvenaria convencional. Os blocos N-S (pedagógicos) contam ainda com uma vedação em elementos pré-moldados de concreto pigmentado rosado. À norte sua fachada é vedada com elementos cerâmicos vazados e à sul com placas de concreto verticais. A escolha destes elementos responde a uma estratégia projetual de conforto ambiental e ventilação cruzada natural. O fechamento em cobogós se estende também para fachada administrativa e para os muros térreos da escola. A ordenação modular é constante em todo o Centro Educacional, seguindo um ritmo de 7,20 x 9,60m.  Os grandes vãos da área central, de cobertura dos pátios e ginásio são cobertos por telhas metálicas que se estendem para a cobertura das passarelas-corredores, dando unidade a todo o conjunto. Todos os elementos metálicos: esquadrias, vigas, passarelas, tirantes e escadas, assumem, de forma didática, a cor verde azinhavre. O verde destes elementos mescla-se com a vegetação e suaviza o impacto do construído. As escadas e rampas, além de atenderem às normas técnicas de acessibilidade e saídas de emergência, existem como lugares de encontro, pontos nodais de distribuição aos diferentes recintos.

 

SUSTENTABILIDADE E ECONOMIA

A solução construtiva adotada para a edificação foi em concreto pré-fabricado: sistema convencional laje-viga-pilar, com lajes alveolares apoiadas nas vigas, que por sua vez se apoiam em pilares por meio de consolos curtos. Na cobertura da quadra esportiva, a inovação técnica se dá pela colocação de placas fotovoltaicas orientadas a norte, sobre os elementos em shed voltados para o sul. Com uma superfície de 700m2, a área coberta pelas placas produz 350kWh/ dia – suficiente para garantir a eficiência energética do CED. A cobertura do ginásio foi resolvida estruturalmente por vigas de seção “I” variável de aço, perfis soldados, com inércia compatível aos vãos da quadra esportiva; tirantes partem dessas peças para complementar a sustentação de rampas e passarelas, cuja estrutura contida nos planos de piso será também metálica (uma composição de lajes sobre vigas laminadas de aço); a estabilidade lateral da estrutura metálica é garantida pela rigidez da estrutura de concreto a que se conecta. As soluções pré-fabricadas escolhidas para o projeto - em concreto e em aço - mostram-se com grande viabilidade técnica e econômica na arquitetura modulada, e garantem: qualidade de acabamento, canteiro limpo e rápido prazo de execução.

 

O PROGRAMA

A partir dos dados fornecidos pelo edital do concurso, a população da RA XIV do Crixá conta com 1458 crianças entre 8 a 14 anos e 663 adolescentes entre 15 e 17 anos. Com base neste número estimamos que uma média de 832 crianças estariam no EF2 (de 11 a 14 anos), previsto para ser atendido por 3 escolas: 2 CEF’s e este CED a ser projetado. Logo, o CED projetado precisaria prever 8 salas de aula para atender proporcionalmente a esta população. Já os 663 adolescentes de 15 a 17 anos seriam atendidos pelas 16 salas de aula previstas para o Ensino Médio e educação para jovens e adultos, presentes no programa deste CED. O projeto aqui apresentado procurou não enrijecer em sua organização espacial (de 24 salas de aula) à divisão por séries prevista, dotando o conjunto de flexibilidade e adaptabilidade a novas possíveis disposições e funcionamentos. A integração etária, representada espacialmente pela união dos diversos pátios num único platô acessível, foi um dos partidos geradores de todo o projeto.

 

 

 


Ano:
2018
Local:
Brasília -DF
Autores:
Alexandre Ruiz, Thais Saboia, Haraldo Hauer, Rodrigo Vinci, Bruno Niepsui e Oliver Uszkurat
Consultores:
Eng. Ricardo Henrique Dias

 

“Tudo o que projetamos deve ser adequado a cada situação que surja; em outras palavras, não deve ser apenas confortável mas também estimulante – e é esta adequação fundamental e ativa que eu gostaria de designar como forma convidativa: a forma que possui mais afinidade com as pessoas.”

(Herman Hertzberger em Lições de Arquitetura, 1991).

 

DE LOTE 6 À CENTRO EDUCACIONAL_ “forma convidativa”

O Lote 6 na Avenida Crixá, destinado ao novo Centro Educacional da Região Administrativa XIV, apresenta uma declividade na direção norte. Esta característica natural do terreno, aliada ao caráter das vias do entorno, foram os definidores de um partido arquitetônico que resultou na horizontalidade do conjunto escolar construído, propiciando dois acessos em níveis: o dos pátios escolares e o do estacionamento às áreas de serviço. Para a criação de um equipamento cujo caráter arquitetônico fosse convidativo e singelo, imaginamos um lugar de fácil apropriação e identificação comunitária.

 

OS ACESSOS E OS DOIS TÉRREOS _ “demarcações territoriais”

O projeto privilegiou o acesso dos pedestres e bicicletas, voltando o acesso principal da escola para a Avenida Crixá, a que ladeará toda a futura ocupação habitacional da RA XIV. Ali também é facilitado o estacionamento rápido de veículos pela própria diretriz urbana da avenida. O acesso principal determinou a cota do térreo, das salas especiais, laboratórios e atividades ao ar livre da escola, integradas espacialmente pelos pátios. O estacionamento exclusivo para professores e funcionários foi destinado para a parte mais alta do terreno, com acesso separado pela via marginal da Avenida São Sebastião (Rodovia DF-473), sua cota (3,60 metros acima) determinou o segundo térreo da escola: o nível pedagógico. A criação do platô no nível do acesso implica em uma suave readequação de terras: o volume de terras retirado ao lado sul é reacomodado na porção norte do terreno, criando um recorte visual elevado para meio urbano. As diferentes alturas entre os platôs, permitiram também a acomodação de uma quadra esportiva inserida na volumetria do conjunto.

 

A ESCALA URBANA E OS PÁTIOS INTERNOS _ “criando espaço, deixando espaço”

Em relação à futura ocupação habitacional, a disposição arquitetônica proposta para o CED deixa em seu acesso uma área de praça pública para o acúmulo de pessoas no embarque e desembarque de veículos, ou para a espera tranquila da saída da escola do filho ou do(a) paquera. O importante é ter onde esperar. A fachada perimetral, com apenas dois pavimentos, altera áreas de permeabilidade visual (cobogós) com áreas opacas (placas de concreto pré-moldado), oferecendo movimento, iluminação e segurança às áreas públicas. A escola, por segurança interna dos alunos, é por princípio uma construção protegida; no entanto, a disposição dos blocos educacionais com aberturas para norte e sul, propiciou um agradável ritmo de cheios e vazios da edificação para o exterior, com aberturas no final de seus curtos corredores, e com a criação interna de diferentes escalas de recintos. Os pátios menores surgem nos intervalos dos blocos: áreas para sombra, descanso e interações sociais controladas. Os grandes pátios de escala gregária se unem visualmente e estão todos no mesmo platô térreo, sem desníveis, são eles: a quadra de esportes, o pátio descoberto de areia compactada, o pátio coberto com as laterais ocupadas por painéis artísticos e, por último, uma generosa varanda para a cidade. A área de recorte visual para norte e as demais áreas permeáveis visualmente propiciam ao edifício o controle visual, não invasivo, de todo o seu perímetro urbano. Os pátios menores com vegetação abundante amenizam os ventos dominantes, nas diversas estações e orientações. O vento Sul, por sua vez, é suavizado na área das quadras pela elevação da área do estacionamento e sua cobertura arbórea.

 

MATERIALIDADE E TECTÔNICA _“ordenamento da construção”

Os blocos didáticos (orientados N-S) assim como os administrativos, do refeitório e da biblioteca (orientados L-O) foram concebidos com um sistema construtivo de concreto pré-fabricado e alvenaria convencional. Os blocos N-S (pedagógicos) contam ainda com uma vedação em elementos pré-moldados de concreto pigmentado rosado. À norte sua fachada é vedada com elementos cerâmicos vazados e à sul com placas de concreto verticais. A escolha destes elementos responde a uma estratégia projetual de conforto ambiental e ventilação cruzada natural. O fechamento em cobogós se estende também para fachada administrativa e para os muros térreos da escola. A ordenação modular é constante em todo o Centro Educacional, seguindo um ritmo de 7,20 x 9,60m.  Os grandes vãos da área central, de cobertura dos pátios e ginásio são cobertos por telhas metálicas que se estendem para a cobertura das passarelas-corredores, dando unidade a todo o conjunto. Todos os elementos metálicos: esquadrias, vigas, passarelas, tirantes e escadas, assumem, de forma didática, a cor verde azinhavre. O verde destes elementos mescla-se com a vegetação e suaviza o impacto do construído. As escadas e rampas, além de atenderem às normas técnicas de acessibilidade e saídas de emergência, existem como lugares de encontro, pontos nodais de distribuição aos diferentes recintos.

 

SUSTENTABILIDADE E ECONOMIA

A solução construtiva adotada para a edificação foi em concreto pré-fabricado: sistema convencional laje-viga-pilar, com lajes alveolares apoiadas nas vigas, que por sua vez se apoiam em pilares por meio de consolos curtos. Na cobertura da quadra esportiva, a inovação técnica se dá pela colocação de placas fotovoltaicas orientadas a norte, sobre os elementos em shed voltados para o sul. Com uma superfície de 700m2, a área coberta pelas placas produz 350kWh/ dia – suficiente para garantir a eficiência energética do CED. A cobertura do ginásio foi resolvida estruturalmente por vigas de seção “I” variável de aço, perfis soldados, com inércia compatível aos vãos da quadra esportiva; tirantes partem dessas peças para complementar a sustentação de rampas e passarelas, cuja estrutura contida nos planos de piso será também metálica (uma composição de lajes sobre vigas laminadas de aço); a estabilidade lateral da estrutura metálica é garantida pela rigidez da estrutura de concreto a que se conecta. As soluções pré-fabricadas escolhidas para o projeto - em concreto e em aço - mostram-se com grande viabilidade técnica e econômica na arquitetura modulada, e garantem: qualidade de acabamento, canteiro limpo e rápido prazo de execução.

 

O PROGRAMA

A partir dos dados fornecidos pelo edital do concurso, a população da RA XIV do Crixá conta com 1458 crianças entre 8 a 14 anos e 663 adolescentes entre 15 e 17 anos. Com base neste número estimamos que uma média de 832 crianças estariam no EF2 (de 11 a 14 anos), previsto para ser atendido por 3 escolas: 2 CEF’s e este CED a ser projetado. Logo, o CED projetado precisaria prever 8 salas de aula para atender proporcionalmente a esta população. Já os 663 adolescentes de 15 a 17 anos seriam atendidos pelas 16 salas de aula previstas para o Ensino Médio e educação para jovens e adultos, presentes no programa deste CED. O projeto aqui apresentado procurou não enrijecer em sua organização espacial (de 24 salas de aula) à divisão por séries prevista, dotando o conjunto de flexibilidade e adaptabilidade a novas possíveis disposições e funcionamentos. A integração etária, representada espacialmente pela união dos diversos pátios num único platô acessível, foi um dos partidos geradores de todo o projeto.

 

 

 



Ano:
2018
Local:
Brasília -DF
Autores:
Alexandre Ruiz, Thais Saboia, Haraldo Hauer, Rodrigo Vinci, Bruno Niepsui e Oliver Uszkurat
Consultores:
Eng. Ricardo Henrique Dias

 

“Tudo o que projetamos deve ser adequado a cada situação que surja; em outras palavras, não deve ser apenas confortável mas também estimulante – e é esta adequação fundamental e ativa que eu gostaria de designar como forma convidativa: a forma que possui mais afinidade com as pessoas.”

(Herman Hertzberger em Lições de Arquitetura, 1991).

 

DE LOTE 6 À CENTRO EDUCACIONAL_ “forma convidativa”

O Lote 6 na Avenida Crixá, destinado ao novo Centro Educacional da Região Administrativa XIV, apresenta uma declividade na direção norte. Esta característica natural do terreno, aliada ao caráter das vias do entorno, foram os definidores de um partido arquitetônico que resultou na horizontalidade do conjunto escolar construído, propiciando dois acessos em níveis: o dos pátios escolares e o do estacionamento às áreas de serviço. Para a criação de um equipamento cujo caráter arquitetônico fosse convidativo e singelo, imaginamos um lugar de fácil apropriação e identificação comunitária.

 

OS ACESSOS E OS DOIS TÉRREOS _ “demarcações territoriais”

O projeto privilegiou o acesso dos pedestres e bicicletas, voltando o acesso principal da escola para a Avenida Crixá, a que ladeará toda a futura ocupação habitacional da RA XIV. Ali também é facilitado o estacionamento rápido de veículos pela própria diretriz urbana da avenida. O acesso principal determinou a cota do térreo, das salas especiais, laboratórios e atividades ao ar livre da escola, integradas espacialmente pelos pátios. O estacionamento exclusivo para professores e funcionários foi destinado para a parte mais alta do terreno, com acesso separado pela via marginal da Avenida São Sebastião (Rodovia DF-473), sua cota (3,60 metros acima) determinou o segundo térreo da escola: o nível pedagógico. A criação do platô no nível do acesso implica em uma suave readequação de terras: o volume de terras retirado ao lado sul é reacomodado na porção norte do terreno, criando um recorte visual elevado para meio urbano. As diferentes alturas entre os platôs, permitiram também a acomodação de uma quadra esportiva inserida na volumetria do conjunto.

 

A ESCALA URBANA E OS PÁTIOS INTERNOS _ “criando espaço, deixando espaço”

Em relação à futura ocupação habitacional, a disposição arquitetônica proposta para o CED deixa em seu acesso uma área de praça pública para o acúmulo de pessoas no embarque e desembarque de veículos, ou para a espera tranquila da saída da escola do filho ou do(a) paquera. O importante é ter onde esperar. A fachada perimetral, com apenas dois pavimentos, altera áreas de permeabilidade visual (cobogós) com áreas opacas (placas de concreto pré-moldado), oferecendo movimento, iluminação e segurança às áreas públicas. A escola, por segurança interna dos alunos, é por princípio uma construção protegida; no entanto, a disposição dos blocos educacionais com aberturas para norte e sul, propiciou um agradável ritmo de cheios e vazios da edificação para o exterior, com aberturas no final de seus curtos corredores, e com a criação interna de diferentes escalas de recintos. Os pátios menores surgem nos intervalos dos blocos: áreas para sombra, descanso e interações sociais controladas. Os grandes pátios de escala gregária se unem visualmente e estão todos no mesmo platô térreo, sem desníveis, são eles: a quadra de esportes, o pátio descoberto de areia compactada, o pátio coberto com as laterais ocupadas por painéis artísticos e, por último, uma generosa varanda para a cidade. A área de recorte visual para norte e as demais áreas permeáveis visualmente propiciam ao edifício o controle visual, não invasivo, de todo o seu perímetro urbano. Os pátios menores com vegetação abundante amenizam os ventos dominantes, nas diversas estações e orientações. O vento Sul, por sua vez, é suavizado na área das quadras pela elevação da área do estacionamento e sua cobertura arbórea.

 

MATERIALIDADE E TECTÔNICA _“ordenamento da construção”

Os blocos didáticos (orientados N-S) assim como os administrativos, do refeitório e da biblioteca (orientados L-O) foram concebidos com um sistema construtivo de concreto pré-fabricado e alvenaria convencional. Os blocos N-S (pedagógicos) contam ainda com uma vedação em elementos pré-moldados de concreto pigmentado rosado. À norte sua fachada é vedada com elementos cerâmicos vazados e à sul com placas de concreto verticais. A escolha destes elementos responde a uma estratégia projetual de conforto ambiental e ventilação cruzada natural. O fechamento em cobogós se estende também para fachada administrativa e para os muros térreos da escola. A ordenação modular é constante em todo o Centro Educacional, seguindo um ritmo de 7,20 x 9,60m.  Os grandes vãos da área central, de cobertura dos pátios e ginásio são cobertos por telhas metálicas que se estendem para a cobertura das passarelas-corredores, dando unidade a todo o conjunto. Todos os elementos metálicos: esquadrias, vigas, passarelas, tirantes e escadas, assumem, de forma didática, a cor verde azinhavre. O verde destes elementos mescla-se com a vegetação e suaviza o impacto do construído. As escadas e rampas, além de atenderem às normas técnicas de acessibilidade e saídas de emergência, existem como lugares de encontro, pontos nodais de distribuição aos diferentes recintos.

 

SUSTENTABILIDADE E ECONOMIA

A solução construtiva adotada para a edificação foi em concreto pré-fabricado: sistema convencional laje-viga-pilar, com lajes alveolares apoiadas nas vigas, que por sua vez se apoiam em pilares por meio de consolos curtos. Na cobertura da quadra esportiva, a inovação técnica se dá pela colocação de placas fotovoltaicas orientadas a norte, sobre os elementos em shed voltados para o sul. Com uma superfície de 700m2, a área coberta pelas placas produz 350kWh/ dia – suficiente para garantir a eficiência energética do CED. A cobertura do ginásio foi resolvida estruturalmente por vigas de seção “I” variável de aço, perfis soldados, com inércia compatível aos vãos da quadra esportiva; tirantes partem dessas peças para complementar a sustentação de rampas e passarelas, cuja estrutura contida nos planos de piso será também metálica (uma composição de lajes sobre vigas laminadas de aço); a estabilidade lateral da estrutura metálica é garantida pela rigidez da estrutura de concreto a que se conecta. As soluções pré-fabricadas escolhidas para o projeto - em concreto e em aço - mostram-se com grande viabilidade técnica e econômica na arquitetura modulada, e garantem: qualidade de acabamento, canteiro limpo e rápido prazo de execução.

 

O PROGRAMA

A partir dos dados fornecidos pelo edital do concurso, a população da RA XIV do Crixá conta com 1458 crianças entre 8 a 14 anos e 663 adolescentes entre 15 e 17 anos. Com base neste número estimamos que uma média de 832 crianças estariam no EF2 (de 11 a 14 anos), previsto para ser atendido por 3 escolas: 2 CEF’s e este CED a ser projetado. Logo, o CED projetado precisaria prever 8 salas de aula para atender proporcionalmente a esta população. Já os 663 adolescentes de 15 a 17 anos seriam atendidos pelas 16 salas de aula previstas para o Ensino Médio e educação para jovens e adultos, presentes no programa deste CED. O projeto aqui apresentado procurou não enrijecer em sua organização espacial (de 24 salas de aula) à divisão por séries prevista, dotando o conjunto de flexibilidade e adaptabilidade a novas possíveis disposições e funcionamentos. A integração etária, representada espacialmente pela união dos diversos pátios num único platô acessível, foi um dos partidos geradores de todo o projeto.